Quinzena na grande distribuição <br>para dar força às reivindicações

DIREITOS As grandes cadeias de super e hipermercados e lojas especializadas pretendem reduzir o valor do trabalho suplementar e desregular ainda mais os horários, para aceitarem subir salários.

Mais de 80 por cento dos salários estão abaixo de 640 euros

LUSA

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Nas primeiras duas semanas de Fevereiro, o Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal está a levar a cabo, junto de estabelecimentos de diversas empresas do sector da grande distribuição comercial, iniciativas de denúncia das condições de trabalho e das posições patronais face às reivindicações apresentadas.

No comunicado geral sobre esta quinzena de lutas, o CESP/CGTP-IN explicou os motivos do protesto e da mobilização: «Não aceitamos que empresas com milhões de euros de lucro paguem, a trabalhadores com 8, 15, 20 e mais anos de casa, salários de 580, 585 e 590 euros mensais. Não aceitamos reduzir o valor que recebemos pelo trabalho prestado nos feriados nem pelo trabalho suplementar. Não aceitamos a introdução de regimes de bancos de horas que desregulariam, ainda mais, os já desregulados horários de trabalho, criando situações insustentáveis na conciliação entre os horários de trabalho e a vida pessoal e familiar de cada um dos trabalhadores.»

Segundo o CESP, cerca de 40 por cento dos trabalhadores deste sector recebem salários abaixo dos 600 euros; se este limite for de 640 euros, estão abaixo dele 80 por cento dos trabalhadores.

O sindicato reivindica, na proposta dirigida à associação patronal APED, o aumento dos salários de todos os trabalhadores, o fim da tabela B (de valores mais baixos, a vigorar em todos os distritos, excepto Lisboa, Porto e Setúbal) e a progressão automática dos operadores de armazém até ao nível de operador especializado.

Perante o impasse nas negociações do contrato colectivo, foi pedida a passagem à fase de conciliação. Anteontem, dia 6, a pontuar a primeira reunião entre representantes sindicais e patronais no Ministério do Trabalho, o CESP realizou uma concentração na Praça de Londres.

Na segunda-feira, dia 5, realizou-se a primeira das acções junto a locais de trabalho, no Continente de Portimão (Cabeço do Mocho), durante a manhã. O sindicato, realçando que «a continuação da luta é fundamental» para dar força às reivindicações, anunciou ainda protestos para ontem, dia 7, no Continente Modelo, no Centro Comercial Mira Maia; hoje de manhã, frente a El Corte Inglés, em Vila Nova de Gaia, e de tarde, junto à FNAC, na Rua de Santa Catarina, no Porto; dia 10, sábado, junto a El Corte Inglés, em Lisboa; dia 12, segunda-feira, às 11h00, na loja Pingo Doce na Rinchoa; e dia 14, quarta-feira, nas lojas do Pingo Doce em Lavra (Matosinhos) e na Avenida do Uruguai, em Lisboa.

Para a rede alemã ALDI, que o CESP acusou de impedir reuniões do sindicato com os trabalhadores, está marcada greve no dia 12. Face à recusa da empresa a negociar, o CESP accionou o mecanismo de prevenção de conflitos, estando marcada para amanhã, dia 9, uma reunião no Ministério do Trabalho.

 



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